apreciar as diferentes cores e formas dos ovos caipiras, seguir a trilha do poeta manoel de barros e fazer coisas desúteis. tudo que use o abandono por dentro e por fora. o que eu queria fazer era brinquedo com as palavras.um abridor de amanhecer. parafuso de veludo.
entregar o olhar.abrir espaço para perceber o que realmente é prioritário.

ação do tempo cria pintura contemporânea








o espírito wabi recomenda também
o respeito e  a admiração pela ação do tempo sobre as coisas, 
refutando o supérfluo, o artificial e o perfeito
para aderir ao natural, essencial, imperfeito.

2012 wabi: viver como um rio, sonhar como o mar



Antes de tudo, de tudo mesmo, a Terra foi criada. Depois, a vida animal e, em seguida, a vida humana. Os deuses queriam simplesmente ser adorados por suas criaturas. O barro era a essência inerente dos homens. Mas, um erro, e o barro não resistiu e os homens se desintegravam.

Uma nova tentativa e os homens, agora feitos de madeira, resistiram e sobreviveram aos tempos. Ao se verem fortes quiseram ser deuses. E ao se acharem deuses esqueceram-se de que eram apenas divinos. E assim tornaram-se prepotentes, arrogantes, frívolos e sem caráter. Sem valores e sem respeito à vida.

O Grande Pai e a Grande  Mãe, insatisfeitos com o que haviam criado, não tiveram outra alternativa. Uma grande tempestade como nunca se viu igual nem se verá, escureceu o mundo. Um dilúvio aniquilou este tipo de espécie humana. Assim, esta experiência divina, chegou ao fim. Com um desastre promovido pela natureza, pelo choro dos deuses alarmados com o que viam.

A Terra se viu limpa, linda, aberta, sol solto no ar, e só. E livre dos espíritos do mal, dos vaidosos e dos desumanos.

Os deuses, agora, sabem que não podem errar. Junto com a forma, é preciso criar a essência. Inventam quatro homens surgidos pela magia de grãos de milho moídos, espremidos. A partir de suas formas, quatro mulheres. A Humanidade de novo. Ressurgida dos grãos feitos pela natureza. Assim é e, assim, se multiplicou.

E os deuses se alarmaram com tanto crescimento e a multiplicação humana. Consideraram a hipótese real de serem traídos por uma humanidade ingrata e o desejo dos homens de suplantá-los.

Assim, o Grande Pai e a  Grande Mãe  tomam uma nova decisão. Resolvem tornar os homens menos sábios e menos inteligentes. Para que nunca pudessem superá-los.

As oito criaturas nascidas dos grãos do milho tiveram sua capacidade de percepção diminuída e sua sabedoria reduzida,drasticamente. E  assim estão até hoje, com sua capacidade de expansão presa numa espécie de rede de limitações.

Longe ainda da Grande Lei que rege todos os fenômenos. A poderosa Lei do Universo. Ainda distantes de se unir a esta força cósmica para criar uma nova proposta de mundo. Acorrentadas ao impossível. E, assim, acreditam que nunca serão capazes de ir além. Sentindo-se, ainda, impotentes diante das maldades. Incapazes de buscar os caminhos da transformação. Acreditando na felicidade pelos impulsos que a vida pode dar com base apenas, nos  mundos externos. Desacreditando da arte e da própria capacidade de revolucionar e de construir, entre a escuridão e a força criativa da luz, uma ponte silenciosa e permanente sob o sol.

É, naturalmente, um mistério impiedoso sobre nossas almas, que o mundo esteja assim. Entregue às conexões do mal e da dor. E que as brumas apaguem as brechas do infinito. E que a vida seja percebida só pelos nossos diminutivos. E que o olhar que temos sobre a existência, o pulsar das ruas, dos vales, das montanhas, do coração humano, da inteligência, dos céus e seus percalços, das luas e suas vitórias, do sol e sua iluminação não sejam capazes de ampliar nossos sonhos e nos humanizar, nos fazer expandir, muito além de nossas galáxias internas.

Os homens são essencialmente livres. Mas estão, limitadamente, presos. E não é culpa dos deuses.

Agora percebo as nossas dimensões invisíveis, extensos universos  nos quais não ousamos entrar nem conhecer. Elas são muito maiores do que podemos imaginar e vão muito além de nossas circunstâncias de qualquer tempo e qualquer espaço. São vastos campos de eternidade, de pó, cinzas, neblinas, névoas, mas também feitas de ouro, o mais puro ouro, nossas energias vitais fluindo por mundos múltiplos e diversos a cada segundo .

A questão é se, exatamente, não nos deixamos tomar pelo patético e deixamos de voar pelas dimensões de nossos ouros. Se ficamos nas cinzas, nas sombras e no pó, não enxergamos, assim, os lindos campos de sonho e sol do amanhecer, os enigmas da vida transformados em nesgas de ouro dos vales do entardecer. Ouro pessoal, individual, universal, muito além do corpo, da mente, dos sentidos e dos espaços do espírito. Uma outra dimensão da verdade da vida.

Não será preciso ir muito longe para caminhar pelas vastas planícies de nossa existência, onde nossos ouros são a nossa essência. Não será preciso mover céus e terra, mas será necessário saber enxergar todas as nossas possibilidades, as possibilidades do incrível e do inacreditável, nossas dimensões novas e nossa jornada em direção a elas como um poder pessoal. Elas não estão lá! Estão aqui dentro, onde há veias e músculos, cérebro e coração. Onde o sangue é como um rio valente, a se atirar pelo imponderável sempre a caminho de seu objetivo principal.

 Ah! É isto, então. Viver como um rio, mas sonhar como o mar !

Um rio de verdade, por entre as pedras, os contornos e entrâncias, sob o clarão e os cheiros do vasto luar e a benção das luzes e dos feitiços de nossas mais puras energias. Milhões de mundos de potencialidades, por entre dúvidas e perspectivas, esperas e angústias. Mas sempre sob a certeza de que não há verdade buscada que não possa ser encontrada um dia, e de que não existem horizontes internos inacessíveis e que não  possam  ser alcançados.

A questão que nos atordoa e nos incomoda, tanto quanto nossa ingratidão ,é nossa continuada omissão perante a vida. Tudo faz sentido, um único e vasto sentido. Tudo conduz à totalidade que nos une e nos faz responsáveis por todos os mundos individuais e coletivos. Nada acontece só para nós. Nada existe só. Estamos de fato, irremediavelmente, entrelaçados. Os fatos, solitários ou múltiplos, nos  ligam na mesma responsabilidade e nas mesmas consequências. Mas temos a mania de aceitar as desgraças e as misérias como se elas não nos atingissem. Todas as vidas, milhões de vidas em todos os tempos são a nossa jornada, a nossa face.

Assim, uma existência, basta uma única, ultrajada, vilipendiada, violentada
é  nossa face que se desfigura. Lentamente, aos poucos. E toda vez que nos desfiguramos, mudamos o rosto do mundo que idealizamos e queremos.

A ingratidão, a omissão, será sempre preciso eliminar isto da face da terra. Extirpar a miséria da alma humana.

Só assim o sopro dos ventos do sol nos guiará por uma linda jornada solidária. E seremos a humanidade que devemos ser.

Assim podemos fazer, de algum modo, uma história pessoal que não se vai com o tempo. E que mereça, de fato, ser eternizada.
             
O  Grande Pai. A Grande Mãe. A Grande Lei. Tudo está aqui - em nós. A voar entre ruelas e caminhos, ao sabor das trilhas versejando sobre as luzes das pedras,  a multiplicidade das cores, as indagações do futuro, os mundos múltiplos que se estendem até onde a vista não alcança, mas o coração sente. Nada ficou no passado. Até porque o melhor do passado é a parceria com o infinito universal que podemos estabelecer. 

Não se pode  culpar os deuses porque sempre esbarramos no fundo do lago entre algas tóxicas, emaranhados pela poluição, perdidos em uma espécie de lama que nos suja a vida e nos faz esquecer de que podemos, sim, nos livrar do lixo da maldade.

Entre as brumas a invadir lentamente as águas, podemos olhar fixamente para elas. E nos aninhar na expectativa do que podemos de fato fazer para nos salvar. Elas, apesar de brumas, trazem também as manhãs claras e o mundo azul dos nossos céus internos. Os verdes vales dos caminhos que percorremos mesmo sem perceber. Os rios tumultuados e curvos, salientes e indomáveis a voar por nossas vidas. Nos silêncios longos de nossas dores e aflições, mas também na ventania que percorre os ares de nossas mais puras esperanças.

Para os deuses que nos protegem e a Grande Lei, será sempre essencial, para o bem da sociedade e a felicidade das pessoas, não importa o tempo, nem o lugar, que a verdade, a justiça e o mais profundo amor triunfem. Assim diz o Mestre das planícies e dos vales, das montanhas e do coração planetário. O Mestre do mundo.

Apesar de brumas, elas trazem agora a madrugada de festa sob as estrelas de nossos céus.

A festa que cada um de nós pode, perfeitamente, fazer .Acredite, isso não é uma lenda. Uma festa sem iguale sem fim.
Sim!Viver como um rio e sonhar como o mar!
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(texto extraído do meu livro UM VAZIO NO CORAÇÃO DO MUNDO, no prelo, a ser publicado em 2012, contendo a descrição da criação dos seres humanos segundo os maia-quiché, que habitaram parte da atual Guatemala.)
2012
Você é a estrela que merece ser. A festa da vida que só você pode fazer.
O melhor da história é fazer a história!
Um lindo ano para você!
Obrigado pelo carinho de seu apoio e amizade!

Carlos Alberto Luppi


2012 wabi : pela sustentável leveza do ser profundo

clarissa pinkola estées



para manter a sustentabilidade do ser profundo, uma boa vassourinha é indispensável


instinto iluminado

....até quando?

nosso gato shitake é puro destaque. nossa égua aretha, árabe, uma obra de  arte.
o sol na grama a passear, as flores pequeninas, as gramas, franzinas, ainda meninas.
a natureza agradece. a arte, o destaque.
c. a. luppi



 todos os seres são relações,
são membros de uma mesma família planetária.
os humanos são os únicos que ainda
não se deram conta disso.
os animais, as árvores, as pedras, etc...
todos eles escolheram suportar a
crueldade dessa ilusão humana -
que acredita que tudo é separado de tudo
nesta existência.
até que se recordem da
nossa unicidade com
toda a vida e,
possam, então,
retornar, juntos,
ao grande mistério.

grande mistério é o que
a cultura sêneca chama de
inteligência espiritual,
os hindus chamam de brahma,
os budistas de uma mente só,
os cristãos de reino dos céus.

tudo isso é aqui.

twylah nitsch (1913- 2007)

líder do clã wolf da tribo sêneca

brilhantes









dezembro: o buquê que eu fiz para mim

chama-se a sustentável leveza do ser, sim !


um buquê das pluminhas que floresceram em meio à grama natural do imenso jardim

veja mais no  afinidades eletivas (clique sobre o nome)

camélia no musgo - muito wabi

estou lendo o  "a elegância do ouriço"  de muriel barbery, lamentando que já estou quase chegando ao final do livro.
neste domingo, sentada no galpão, o resto de brasas incandescentes no forno à lenha, os gatos aninhados na almofada macia da cadeira, meu marido escrevendo e ouvindo miles davis,as estrelas reaparecendo depois de dias de chuva, cheguei a um capítulo chamado wabi. meu coração piscou mais uma vez.
wabi em japonês = uma qualidade de requinte mascarada de rusticidade.
sinto-me  a própria camélia no musgo. (nem sempre...) explico aqui.
a concierge, personagem do livro, assiste uma noite a um video, o filme as irmãs munakata, do diretor ozu.
ela comenta sobre duas cenas curtas e marcantes num roteiro sobre o novo e o antigo japão, conflitos, violência,decepção amorosa, "que nada na intriga motiva" e que no entanto "provocam um  emoção tão forte, mantêm todo o filme entre parênteses inefáveis."
cena 1: o pai, que em breve morrerá, conversa com a filha sobre o passeio que acabam de fazer por kyoto. bebem saquê.
o pai : e esse templo do musgo! a luz ainda realçava o musgo.
setsuko, a filha : e também a camélia posta ali em cima.
o pai : você reparou nela? como estava bonito! (pausa)
no antigo japão há coisas lindas. (pausa) esse modo de decretar que tudo é ruim me parece exagerado.
o filme avança e , bem no finzinho, setsuko, a mais velha, conversa com a irmã mais nova , muriko, num parque.
 cena 2 : setsuko, com o rosto radioso: diga-me mariko, por que os montes de kyoto são violeta?
mariko, esperta: é verdade, parece um flã de azuqui.
setsuko, sorridente: é uma cor muito bonita.


e aqui está a chave do filme, diz a concierge no livro, algo que escapa aos ocidentais.


setsuko: a verdadeira novidade é aquilo que não envelhece, apesar do tempo.


a camélia sobre o musgo do templo, o violeta dos montes de kyoto, uma xícara de porcelana azul, essa eclosão da beleza pura no centro das paixões efêmeras, não é a isso o que todos nós aspiramos? e não é isso que nós, civilizações ocidentais, não sabemos captar?
a contemplação da eternidade do próprio movimento da vida.  

quinta da grama e um recado muito wabimauaaah






Carta aberta ao Sr. Claudio Serricchio,


 em resposta ao seu artigo publicado no jornal Ponte Velha, de Resende:




Sr. Claudio:
Li o seu artigo no jornal Ponte Velha. Muito bem escrito. O senhor quase me convenceu da sua luta pelos valores politicamente corretos da preservação ambiental. O quase, fica por conta do discurso sem criatividade,
válido para qualquer quintal que tenha mais de três arvores. 
Claro que o homem urbano está estressado. Claro que a natureza deve ser preservada em prol da saúde de nosso planeta e,  claro que o  "consumismo desenfreado" é predador. 
Sr. Claudio, quanto lugar comum e quanto oportunismo carrega o seu artigo. 
Óbvio que o senhor não participa das reuniões da comunidade. Se o senhor tivesse a humildade democrática de ouvir a maioria absoluta dos habitantes da nossa Visconde de Mauá, compreenderia de imediato que todos, todos nós, desejamos mais que ninguém a preservação do nosso maior capital: a natureza que nos cerca.
O senhor, em alguma época, tentou nos representar. Foi candidato a vereador. Seu pleito não foi atendido pela comunidade. Por que agora o senhor tenta fazer da sua opinião a  opinião que carrega a verdade? Por que o senhor põe em dúvida o valor da nossa opinião, que é a opinião da maioria?
O filósofo urbano Joãozinho Trinta cunhou uma pérola do pensamento popular:  "Quem gosta de pobreza é intelectual..." É em escritos como o seu artigo no Ponte Velha que podemos aferir a veracidade desta afirmativa. 
A nossa região empobrece a cada dia que passa. Será que o senhor não percebe que a nossa "sustentabilidade" depende inteiramente  dos turistas que se hospedam em nossos hotéis, comem em nossos restaurantes, compram nossos artesanatos, andam em nossos cavalos, alugam nossas bicicletas, compram mel de nossas abelhas... 
Será que o senhor não percebe que sem estrada não teremos turistas e sem turistas não teremos renda e sem renda viraremos uma FAVELA. E favela, nunca é ecológico. Pobreza não é ecologicamente correto.   
Sr. Claudio, é demais o senhor acreditar que somos um bando de tolos vendidos ao capitalismo, aos políticos ou a quem quer que seja. Pelo contrário, somos bem formados, bem informados e de bem com a vida que escolhemos viver em Visconde de Mauá. Aqui investimos nosso capital de vida. Somos empregados e empregadores.
Não aceitamos que um pequeno grupo, que se crê dono da verdade, queira nos monitorar, representar,  conduzir ou ensinar preceitos ecológicos - preservacionistas. Foram justo esses temas que nos trouxeram para Visconde de Mauá.
O seu discurso radical, com todas as palavras da moda, tem claque garantida. A Geni do momento é qualquer empresário ou cidadão que queira morar e trabalhar fora dos centros urbanos com conforto e dignidade. E este é o nosso caso.

Claro que é absolutamente possível conciliar progresso e preservação do meio ambiente e este será o nosso desafio. Estamos nos preparando para o que está para vir. As leis ambientais estão consolidadas e do nosso lado. Se colocadas em uso em sua plenitude não acontecerá em nossa região o que aconteceu com destinos turísticos que se consolidaram nas décadas passadas.

Como residente na região, o senhor está convidado a participar deste desafio. 
Mas por hora, por favor, não nos subestime.   


Cordialmente,



Ivan Lopes de Almeida
hoteleiro residente

olhar wabimauaaah de jorge vasconcellos

chuva e sol...
nastúrcios...
as flores que perfumam as saladas verdes,
as folhas que cortam qualquer resfriado e aliviam logo qualquer picada de inseto.
desde antigamente, esta erva-flor, originária do peru,
é considerada um escudo invisível de proteção.
segundo o livro "as ervas do sítio" de rosy  bornhausen,
plantar ao redor da casa ou mesmo imaginar ou tentar perceber o seu aroma,
afasta todas as influências negativas.
no vaso, os cristais aguardam a floração das orquídeas selvagens.
o guarda-chuva, made in china, claro, comprado numa venda no meio do nada,
interage, enquanto seca, com tudo ao seu redor.
e o olhar do fotógrafo e artista multimídia jorge vasconcellos
registra isso tudo neste nosso vale das flores. muito wabimauaaah...